2025
Cassiano dos Santos J. et al. (2025). ANÁLISE DA VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL E RESILIÊNCIA COMUNITÁRIA EM COMUNIDADES TRADICIONAIS DA AMAZÔNIA
Anais do XXI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Salvador-BA
Este estudo abordou a vulnerabilidade socioambiental e a influência de eventos climáticos extremos em comunidades do Quilombo do Abacatal, Floresta Nacional do Tapajós e Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará, Amazônia brasileira. O estudo utiliza Índice Padronizado de Precipitação-Evapotranspiração (SPEI) para identificar e quantificar secas e eventos hidrológicos críticos. Utilizamos análise estatística, preenchimento de lacunas de dados meteorológicos históricos, dados de sensoriamento remoto e oficinas participativas. O trabalho destaca a importância da participação comunitária para compreender as percepções locais sobre mudanças climáticas e vulnerabilidade. As metodologias utilizadas visam fornecer uma visão integrada dos desafios enfrentados, especialmente em contextos onde as alterações climáticas intensificam desigualdades sociais e ameaçam a subsistência das comunidades tradicionais. A abordagem buscou não só medir impactos meteorológicos, mas também fortalecer a resistência e engajamento comunitário em estratégias de adaptação.
Malfetoni Ferreira, I.J. et al. (2025). DINÂMICA TEMPORAL DA ESTAÇÃO SECA NA AMAZÔNIA
XXI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Salvador-BA
Prevê-se que as mudanças climáticas intensifiquem os fenômenos meteorológicos extremos, provocando temporadas secas prolongadas e uma redução das precipitações na Amazônia. Isso, junto com a ignição provocada pelo ser humano, pode aumentar a frequência dos incêndios florestais em toda a região. Investigamos as mudanças espaciais e temporais na extensão e intensidade da temporada seca na Amazônia entre 2000 e 2023. Utilizando conjuntos de dados de precipitação e de múltiplas evapotranspirações, foram calculados o Déficit Máximo de Água Acumulada (MCWD) e a duração da temporada seca. Entre os aspectos mais destacados estão o aumento da frequência, gravidade e extensão espacial das secas desde 2010, sendo 2023 o ano com a maior área afetada (68%) e 2016 o que apresentou o maior déficit hídrico. Em geral, o aumento da frequência de secas extremas na Amazônia gera preocupação com a resiliência a longo prazo da floresta tropical e com o maior risco de incêndios.
Ulfe, M. E. (2025). Vinte anos de reparações, impactos em remediações e o papel das mulheres cuidadoras no Peru. Painel Reparações ou revitimizações? Uma análise do pós-conflito na Colômbia e no Peru.
Congresso Internacional Conselho Europeu para a Investigação em Ciências Sociais da América Latina / Conselho de Pesquisas Sociais da América Latina CEISAL 2025, Nouvelle Sorbonne Université, Paris, 2-4 Junio 2025.
O Plano Integral de Reparações é uma das recomendações deixadas pela Comissão da Verdade e Reconciliação em seu Relatório Final (2003). Foi transformado em lei (Lei 28592) em 2005, formando-se como um programa que contemplaria diferentes compensações (econômicas – individuais e coletivas, em saúde mental, educação, habitação e simbólicas). Para sua execução foi criado o Conselho de Reparações e, para sua entrega, a Comissão Multissetorial de Alto Nível, que dependeria do trabalho coletivo de vários ministérios. Este programa é tomado como referência para outras formas de compensação, especialmente as ambientais. Vinte anos depois, é necessário refletir sobre este programa, seus usos e as tensões que gera. Baseando-me em trabalho de campo em comunidades indígenas de Ayacucho e na selva central e destacando o protagonismo de mulheres líderes indígenas, nesta apresentação analisarei como funcionam as indenizações; como se imaginam, para que deveriam servir, o que constitui a reparação nesses outros casos e o que significa hoje em dia.
Sessão temática 5: Pazes cotidianas, diversidade de vozes e abordagens interseccionais na construção da paz
Conferência Temática UGI 2025, Universidade Antonio Nariño, Santa Marta, Colômbia
A integrante do projeto Hellen Cristancho coordenou esta sessão e quatro membros do projeto contribuíram com apresentações:
Hellen Cristancho – ‘Agência comunitária e precarização territorial na construção da paz’‘Agencia comunitaria y precarización territorial en la construcción de paz’
Roger Few – ‘Riscos cotidianos, crises atuais e a perspectiva pós-pandemia de comunidades rurais da Colômbia e do Peru’’
Hazel Marsh – ‘Construção da paz através da saúde materna e neonatal. Uma abordagem participativa com mulheres indígenas na Colômbia’’
Teresa Armijos Burneo – ‘Territórios de dor e transformação: a ressignificação do território em contextos de desastre e conflito por meio da pesquisa-ação e metodologias a partir da arte’’
2024
Jardel Silva de Sousa et al. (2024). Relato de experiência sobre a análise das vozes digitais: estudo de caso de povos tradicionais durante a pandemia de COVID-19.
IV Seminário de Pesquisa da Floresta Nacional do Tapajós
O objetivo principal desta pesquisa de iniciação científica é identificar e analisar as narrativas nos meses que antecederam até o final do pico da COVID-19 sob a ótica de diferentes atores sociais.
Pismel, G. (2024). Covid-19, trabalho e comunidades quilombolas na Amazônia brasileira.
III Jornada Internacional de Ciências Sociais
O presente trabalho teve como objetivo identificar os principais efeitos da pandemia de Covid-19 nas comunidades quilombolas amazônicas. Também busca contribuir para romper com a ideia universalista de UMA Amazônia. Essa ideia percebe a região como algo homogêneo, uma visão que, sobretudo, é reforçada pelos meios de comunicação. A Amazônia brasileira é negra, indígena, de povos da floresta, quilombolas, de comunidades ribeirinhas, do território e das ilhas, urbanas e rurais, ou seja, uma multiplicidade de comunidades tradicionais e povos originários impossíveis de serem enquadrados em um único grupo.
Rosa, M. et al. (2024). Percepções de crianças e jovens da Floresta Nacional do Tapajós sobre os extremos climáticos na Amazônia.
IV Seminário de Pesquisa da Floresta Nacional do Tapajós
Este relato de experiência técnica diz respeito ao conjunto de atividades realizadas pelo projeto “Vozes em Recuperação”, com crianças e jovens de 4 a 15 anos, em três escolas-polo da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós. Por meio da contação de história, realização de desenhos, caminhadas guiadas pela praia, representação gráfica, criação de história e elaboração de histórias em quadrinhos procuramos compreender e capturar as percepções de crianças e jovens sobre os extremos climáticos na Amazônia, sobretudo a seca severa e as temperaturas elevadas associadas ao El Niño 2023/24, que aumentaram a flamabilidade da região, provocando queimadas e incêndios florestais. Esse conjunto de atividades, por um lado, contribui para uma maior visibilidade dos efeitos dos extremos climáticos sobre os povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem no interior da unidade de conservação e, por outro, busca ouvir e incluir vozes não tão convencionais nas pesquisas acadêmicas: as de crianças e jovens que vivem nesses locais.
2023
Carvalho, N. S. et al. (2023). AVALIANDO A EXTENSÃO DO FOGO EM FLORESTAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS EM PROPRIEDADES RURAIS DA AMAZÔNIA ORIENTAL
Anais do XX Simpósio Brasileiro de Sensoramento Remoto
O estado do Pará concentrou a maior atividade de incêndios na Amazônia brasileira nos últimos anos, provocando impactos negativos nas florestas. Neste estudo, avaliamos a área queimada de florestas primárias e secundárias em propriedades rurais do estado em 2018. As florestas primárias foram as mais afetadas, representando quase 80% da área queimada, cerca de 35.000 ha. Destes, as grandes propriedades concentraram 48%, aproximadamente 17.000 ha, ou seja, três vezes a área observada nas pequenas propriedades. Mais de 50% (5.713,6 ha) das florestas secundárias queimadas tinham idades entre 5 e 20 anos. Também encontramos que 15% das florestas secundárias queimadas em 2018 poderiam se dever ao desmatamento ilegal ocorrido após 2008. Considerar as causas e a origem dos incêndios é fundamental para reduzir os impactos do fogo na floresta amazônica. As soluções devem incluir o fortalecimento da fiscalização ambiental para frear o desmatamento. As soluções devem incluir o fortalecimento da fiscalização ambiental para frear o desmatamento ilegal e garantir práticas seguras no uso do fogo para atividades de subsistência.
Henao Marín E.T. (2023). Entretecer a vida após a pandemia: uma aposta pela recuperação e o fortalecimento do agenciamento coletivo na ANMUCIC-MAR
XI Congresso Internacional de Socialização do Patrimônio no Meio Rural
Este texto apresentou uma comunicação no contexto de uma tese de Mestrado em Justiça Social e Construção da Paz, vinculada ao projeto internacional "Vozes de Recuperação". A pesquisa se concentra no agenciamento coletivo para a recuperação sustentável dos impactos da Covid-19 na ANMUCIC-MAR, uma associação de 25 mulheres em Marquetalia, Caldas, Colômbia. As mulheres participantes, com idades entre 21 e 70 anos e baixo nível educacional, são em sua maioria mães chefes de família, vítimas do conflito armado e positivas para Covid-19. A tese busca aprofundar nas condições de vulnerabilidade preexistentes à pandemia, os impactos da Covid-19 em sua vida cotidiana e no processo associativo, e como fortalecer seu agenciamento coletivo. O estudo adota uma perspectiva interseccional e plural para compreender as violências de gênero e propõe uma metodologia qualitativa, dialógica e participativa que constrói conhecimento a partir das experiências compartilhadas pelas mulheres.
Herrera Herrera V. (2023). Impactos interseccionais e estratégias de recuperação de jovens, mulheres rurais e comunidade vítima do conflito armado após a pandemia em Marquetalia - Colômbia
XXX Congresso Nacional y VI Encontro Latino-Americano de Serviço Social 2023
A presente apresentação foi desenvolvida a partir dos avanços do processo de pesquisa-ação realizado no município de Marquetalia (Colômbia), cujo objetivo é indagar como a pandemia transformou as condições sociais, culturais e econômicas do território, e de que maneira essas transformações aprofundaram os riscos interseccionais que afetam comunidades vulneráveis, entre elas mulheres rurais, jovens e vítimas do conflito armado. Esse processo é desenvolvido a partir da área de Serviço Social da Universidade de Caldas, no âmbito do projeto internacional e interdisciplinar “Vozes de Recuperação. Reconhecer a interseção de riscos, capacidades e necessidades de recuperação diante de uma pandemia em comunidades marginalizadas da América Latina (Brasil, Peru e Colômbia)”.
López Getial A. y Sandstede Estrada B. (2023). Cozinha tradicional amazônica: uma proposta pela soberania alimentar e pela construção da paz na Colômbia.
XI Congresso Internacional de Socialização do Patrimônio no Meio Rural
A apresentação mostrou o processo comunitário liderado pela Associação Fusão Tropical da Amazônia de Florência, Caquetá, Colômbia, que tem como objetivo a recuperação da cozinha ancestral amazônica caqueteña, como uma aposta para a soberania alimentar e a construção da paz. A apresentação expõe o trabalho da associação para visibilizar o território amazônico caquetense como vítima histórica da devastação gerada pelo conflito armado, dos danos ambientais, do abandono estatal e de sua violência estrutural, o que trouxe como consequência a destruição de práticas culturais próprias das comunidades rurais caquetenses; além disso, apresenta a aposta da associação em recuperar os saberes da cozinha tradicional amazônica, por meio do projeto de coleta e aproveitamento de frutos não madeireiros da floresta, como o da palmeira ancestral canangucha, que têm sido aproveitados para a produção e comercialização de alimentos para consumo humano e animal.
Pessôa et al. (2023). IDENTIFICAÇÃO DE FORÇANTES AMBIENTAIS ATUANTES NO AUMENTO DE VULNERABILIDADES EM COMUNIDADES DA BACIA AMAZÔNICA
Anais do XX Simpósio Brasileiro de Sensoramento Remoto
A pandemia de COVID-19 acentuou vulnerabilidades em comunidades tradicionais na América Latina. Junto com os desafios que a própria doença instaurou, essas comunidades estão expostas à múltiplas ameaças socioeconômicas e ambientais, que se cruzam e moldam os caminhos de recuperação traçado por cada uma. O projeto Vozes em Recuperação se concentra em compreender e apoiar os caminhos de recuperação de comunidades marginalizadas no Brasil, Colômbia e Peru. Este trabalho é uma primeira iniciativa para identificar ameaças ambientais que acometem cada sítio de estudo escolhido. Foram identificadas múltiplas ameaças ambientais, como mudanças climáticas e incêndios florestais. O processo de tomada de decisão em torno da recuperação sustentável dessas comunidades pode ser mais eficaz, uma vez que essas ameaças e vulnerabilidades sejam diagnosticadas e melhor compreendidas.
Silva Camacho S. (2023). Violências de gênero e Covid-19 em mulheres rurais da ASONDEMUR: Um olhar a partir da perspectiva interseccional
XI Congresso Internacional de Socialização do Patrimônio no Meio Rural
Nesta apresentação foram apresentados resultados preliminares sobre como as violências de gênero enfrentadas pelas mulheres rurais são atravessadas por condições específicas de desigualdade, as quais se aprofundaram durante a pandemia de COVID-19. Da mesma forma, são analisadas as estratégias comunitárias impulsionadas pelas próprias mulheres para compreender e transformar tais situações de vulnerabilidade. A análise é realizada a partir de uma perspectiva interseccional, que permite evidenciar que a violência de gênero transcende a condição de ser mulher e envolve outros eixos de desigualdade como gênero, raça, classe e sexualidade.
Seminário Permanente de Pesquisa Agrária (SEPIA) XX
Participamos no Seminário Permanente de Pesquisa Agrária (SEPIA) XX, realizado em Lima em novembro de 2023, onde apresentamos nossas descobertas sobre as dimensões étnicas e políticas do protesto asháninka da selva central durante o surto social de dezembro de 2022. Analisamos como as comunidades asháninkas articularam suas demandas coletivas expressando sua identidade cultural no contexto da mobilização nacional, e as tensões entre representação política e memória do conflito armado interno. Este trabalho foi publicado em 2024 no livro "Crise política e surto social no Peru", editado pela SEPIA.