Dissertações

2025

Henao Marín E. (2025). O agenciamento coletivo para a recuperação sustentável dos impactos da covid-19 ANMUCIC, Marquetalia-Caldas

Dissertação de Mestrado em Justiça Social e Construção da Paz

Universidad de Caldas, Colombia 

A tese foi desenvolvida especificamente em Marquetalia, Caldas. Seu objetivo principal foi co-construir processos de agenciamento coletivo com a Associação Municipal de Mulheres Camponesas, Negras e Indígenas da Colômbia (ANMUCIC-MAR). Buscou-se compreender suas vulnerabilidades preexistentes e os impactos da COVID-19 para, posteriormente, fortalecer sua capacidade organizacional e promover diálogos intersetoriais sobre os desafios da recuperação sustentável. O estudo adotou uma perspectiva qualitativa e situada, privilegiando o olhar intersubjetivo e o processo colaborativo e consensual de produção de conhecimento com as participantes, que atuaram como co-pesquisadoras.

Pismel, G. de O. (2025). PAROU O MUNDO, NÓS NÃO: QUILOMBOLAS, COVID-19 E TRABALHO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA.

Dissertação de Mestrado em Sociologia

Universidade Federal Fluminense, UFF, Brasil. 

A pandemia de Covid-19 mergulhou a economia global na recessão mais profunda em oito décadas, gerando uma crise nos empregos e meios de subsistência, com impactos desproporcionais sobre populações marginalizadas e o agravamento de desigualdades econômicas. No Brasil, comunidades tradicionais, como as quilombolas, enfrentaram desafios que transcenderam a esfera da saúde pública. Destacando-se a insegurança alimentar e os conflitos territoriais, problemas históricos que persistiram durante a pandemia. Esta pesquisa analisa essas questões a partir das experiências vividas pelos quilombolas do Abacatal, cujo território fica em Ananindeua (PA). Os relatos dos abacataenses ratificam tais problemas ao evidenciarem como a esfera “econômica” foi a mais afetada pela pandemia. A restrição do fluxo entre o interior e o exterior do quilombo, em conformidade com as recomendações globais para conter a disseminação do vírus, agravou a situação, já que poucos possuíam renda fixa. Dessa forma, muitos perderam sua principal fonte de renda, isto é, a venda dos produtos advindos do próprio território (como carvão, polpas de frutas, macaxeira e derivados, além de biojoias). Diante desse cenário, os abacataenses nos mostram toda sua criatividade econômica quilombola. Dos fazeres artísticos à reinvenção de logísticas com o exterior do quilombo, coletivamente os abacataenses reforçaram parcerias, investiram no uso de novas tecnologias, acessaram políticas públicas emergenciais, retomaram sua medicina ancestral, diversificaram os usos do território e intensificaram a solidariedade entre os seus. A pesquisa revela como a comunidade mobilizou estratégias coletivas para enfrentar os desafios impostos pela pandemia.

Santos J.R. (2025). AVALIAÇÃO MULTIRRISCO DE DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS PARA OS MUNICÍPIOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA.

Tese de Doutorado

Pós-Graduação em Ciência do Sistema Terrestre INPE/MCTI, Brasil

Diante do aumento de desastres, da intensificação das desigualdades sociais aumentando as vulnerabilidades, da degradação ambiental era necessária uma avaliação conjunta para diferentes tipos de desastres socioambientais. O multirrisco de desastres socioambientais foi avaliado a partir do risco individual relacionado aos desastres hidrológicos, geológicos e climatológicos por incêndios florestais em 777 municípios da Amazônia brasileira. Considerando 2010 como o ano de referência esta pesquisa: 1. Mapeou a suscetibilidade da paisagem utilizando dados ambientais, antrópicos, fundiários e registros de eventos desastres (ED) para estimar a zona de elementos expostos (ZELE); 2. Avaliou a cobertura de políticas públicas (PP) municipais por meio dos planos de redução de riscos, programas ou ações de gestão de riscos e tipos de ação diante dos ED e da ZELE utilizando uma análise de correspondência múltipla (ACM). Os eixos gerados pela ACM, os ED e as ZELE foram usados em análises de agrupamento, hierárquica e não hierárquica gerando 10 clusters que foram priorizados para ações de redução de risco de desastres (RRD); 3. Usando índices compostos sintéticos criados a partir de indicadores sociais, ambientais e econômicos estimou as componentes do risco individual e o multirrisco de desastres. A dependência e estrutura espacial do índice de multirrisco foi investigada usando um variograma experimental e os índices Moran I e LISA. Por fim, foi realizado o agrupamento espacial com o método SKATER para definir regiões de multirrisco críticas para ações de RRD. Na avaliação das PP municipais 162 municípios foram classificados como de prioridade alta, 252 de prioridade média-alta, 219 de prioridade média e 144 de prioridade baixa. Quanto ao multirrisco, inicialmente os municípios foram separados em grupos por intervalos iguais onde, 3% estão nos grupos 9 e 10 com um valor muito alto no índice, 24% nos grupos 7 e 8 com um valor alto, 40% nos grupos 5 e 6 com um valor intermediário, e 33% nos grupos 1, 2, 3 e 4 com valores baixos. Ao final 6 regiões de multirrisco foram priorizadas para ações de RRD, onde, a região mais crítica foi a região de multirrisco 1 com 75% dos municípios nos grupos 6 a 10. Em seguida foi a região 6 com 75% nos grupos 5 a 8. Por conseguinte, as regiões 2 e 3 com 75% dos municípios nos grupos 4 a 7 e 4 a 8 respectivamente. Na penúltima posição está a região 5 com 75% dos municípios nos grupos 3 a 6. Por fim, a região 4com 75% dos municípios nos grupos 1 a 4. Esta pesquisa avançou no conhecimento sobre os riscos de desastres na Amazônia brasileira e no multirrisco de desastres socioambientais com uma metodologia que era inédita para a área de estudo e para o país até momento. Os resultados fornecem informações sobre as configurações socioespaciais do multirrisco no território, além de subsidiar e auxiliar com informações para o planejamento de ações e tomadas de decisão para os municípios amazônicos no Brasil.

2024

Sandstede Estrada, B. (2024). J’Accuse: Narrativas de paz em Florença, Caquetá

Tese de Mestrado em Justiça Social e Construção da Paz 

Universidad de Caldas, Colombia

Tese de pesquisa-criação apresentada na Universidade de Caldas, que explora as experiências de construção da paz em Florencia, Caquetá, um território marcado pelo conflito armado. Através de uma Metodologia Vídeo-gráfico-Narrativa, o projeto combina relato, fotografia e vídeo para documentar as histórias de três organizações locais — Fusão Tropical da Amazônia, FUMUCASTIVIC e ASONDEMUR — lideradas por vítimas do conflito que promovem a justiça social, a sustentabilidade ambiental e a equidade de gênero. Vinculado ao programa internacional “Vozes da Recuperação”, J’Accuse reafirma o compromisso com a devolução do conhecimento e com a articulação entre arte, academia e comunidade como via para visibilizar a resiliência e fortalecer a construção de memória e paz a partir dos territórios.

Llano Bedoya Y. (2024). Tecendo narrativas: Reconstruindo as Vozes de Mulheres Líderes Rurais em Marquetalia, Caldas.

Relatório final de estágio acadêmico de Serviço Social  

Universidad de Caldas, Colombia 

Liderada por Yolima Llano Bedoya, a prática se concentrou em acompanhar a Rede de Mulheres de Marquetalia, um grupo de líderes rurais unidas para enfrentar as violências baseadas em gênero exacerbadas pela pandemia. O objetivo principal foi reivindicar o papel dessas mulheres como agentes de mudança e construtoras de paz, visibilizando suas trajetórias e estratégias de sobrevivência. Utilizou-se uma metodologia narrativa hermenêutica para co-construir conhecimento a partir de suas experiências. A intervenção buscou potencializar as capacidades, a autonomia e o engajamento coletivo das mulheres, contribuindo para a ruptura dos ciclos de violência e para o fortalecimento de sua organização. A reconstrução de narrativas tem sido fundamental para influenciar sua autopercepção e promover a incidência social no âmbito municipal. Este processo sublinha a necessidade de abordar as violências de gênero em contextos rurais silenciados. 

Ortiz Bernal L.V. (2024). Reconhecendo-nos nos sentidos corporais e organizativos da Fundação de Mulheres FUMUCASTIVIC. Apostas para a construção da paz.

Relatório final de prática 

Universidad de Caldas, Colombia 

A prática se concentrou na Fundação de Mulheres Camponesas Sem Terra Vítimas do Conflito Armado (FUMUCASTIVIC), um ator-chave em um território historicamente afetado pela violência. A aposta profissional se articulou ao planejamento de uma feira comemorativa pelo Dia Nacional da Memória e da Solidariedade com as Vítimas, buscando visibilizar as demandas dessas mulheres sobreviventes e reivindicantes de terras por uma vida digna e a resignificação do bairro La Gloria como território de paz. O enfoque da intervenção se centrou no fortalecimento organizacional da FUMUCASTIVIC mediante o reconhecimento dos "sentidos corporais e organizativos" de suas integrantes. Essa metodologia buscou levantar silêncios e exteriorizar experiências, sentimentos e posicionamentos como um mecanismo para a construção da paz em nível individual e coletivo. 

Silva Camacho S. (2024). A participação comunitária diante dos riscos interseccionais (Covid-19 – Conflito armado): O caso das mulheres rurais da ASODEMUC em La Estrella Caquetá.

Dissertação de Mestrado 

Universidad de Caldas, Colombia