As comunidades na Colômbia

Na Colômbia, o projeto "Vozes de Recuperação" foi realizado em três locais: Marquetalia (Caldas), Florência e La Montañita (Caquetá). 

Marquetalia

O município de Marquetalia está localizado no coração do Eixo Cafeeiro colombiano, no departamento de Caldas, dentro da sub-região do Alto Oriente.

Sua população tem sido profundamente afetada pelo conflito armado, especialmente pelo deslocamento forçado provocado por grupos paramilitares, o que deixou marcas profundas em seu tecido social e comunitário.

Organizações e atores comunitários vinculados ao projeto em Marquetalia

  • A associação tem presença no município há 20 anos e atualmente é formada por 18 mulheres residentes em áreas urbanas e rurais de Marquetalia. Mais da metade são vítimas do conflito armado e desempenham trabalhos agrícolas e de cuidado não remunerado em seus lares e comunidades.  

    Em coordenação com a Rede de Mulheres de Marquetalia e outras líderes locais, formaram um grupo de 36 mulheres.   

    Trabalhamos de maneira colaborativa a partir do seu interesse em tecido e costura como estratégias de recuperação afetiva, social e econômica.

  • Trabalhamos com um grupo de 23 pessoas vítimas do conflito armado, composto por membros de duas associações: Associação de Vítimas por Marquetalia (ASVICMAR) e Associação de Deslocados e Vítimas da Violência de Marquetalia (ASODESPLAZAVIC), além de membros das Juntas de Ação Comunal (JAC). 

    O grupo é composto por pessoas entre 42 e 70 anos, residentes em áreas urbanas e rurais, muitas delas sobreviventes de deslocamento forçado, tortura e sequestro. Elas se dedicam principalmente a trabalhos agrícolas e a cuidados não remunerados em suas casas e comunidades. 

    As organizações de vítimas têm como eixos de trabalho o reconhecimento das violências sofridas, a reconstrução da memória coletiva e a defesa de seus direitos.

    Em processos conjuntos de co-criação, produzimos materiais didáticos que retratam a história do conflito armado no município e sua relação com os efeitos da pandemia.

  • Este grupo é formado por 23 jovens entre 10 e 17 anos, estudantes do ensino fundamental e médio na Instituição Educacional Juan XXIII, localizada na zona urbana de Marquetalia. Cursam do sexto ao décimo primeiro ano e participam ativamente de processos escolares, alguns como líderes de convivência e outros com acompanhamento da área de psicoorientação. 

    Em um exercício coletivo, desenvolvemos jogos e um mural como formas criativas de expressar suas vivências, emoções e reflexões sobre a pandemia e o confinamento.

Caquetá 

O departamento de Caquetá, localizado no sul da Colômbia, dentro da região amazônica, é composto por 16 municípios, entre eles Florência —sua capital— e La Montañita, onde este projeto é desenvolvido. 

Historicamente, Caquetá tem sido uma das regiões mais afetadas pelo conflito armado, com impactos profundos na vida de seus habitantes.

O extermínio físico e cultural de comunidades indígenas, a apropriação de terras, a expansão de economias extrativas e ilegais e a persistência da violência sociopolítica agravaram as condições de vida no território.

Essas dinâmicas contribuíram para o aumento das desigualdades estruturais, do desemprego, da informalidade no trabalho e do empobrecimento, fatores que se intensificaram com a chegada da pandemia.

Organizações e atores comunitários vinculados ao projeto em Caquetá

  • ASONDEMUR é formada por 25 mulheres rurais que vivem na comunidade de La Estrella, localizada no distrito de Orteguaza, no município de Florencia, Caquetá.

    Ao se encontrarem em uma área de reserva natural, essas mulheres têm promovido iniciativas relacionadas à conservação ambiental, participando de programas de reflorestamento, manejo de resíduos e reciclagem, entre outras ações comunitárias. 

    Com elas, estamos trabalhando na criação e manutenção de uma Horta Medicinal Comunitária como um projeto coletivo. Esta horta tem como objetivo reconectar-se com a terra, resgatar saberes tradicionais e gerar alternativas sustentáveis para o cuidado, a conservação ambiental e a recuperação.

  • A Associação Fusão Tropical da Amazônia surgiu em 2018, formada por homens e mulheres campesinos vítimas de deslocamento forçado e desapropriação de terras devido ao conflito armado. 

    Desde então, eles construíram uma identidade coletiva que articula a defesa do território com a recuperação de seus direitos e memórias.

    Apesar de enfrentar um caminho marcado pela dor, pelo risco e pela resistência, eles reivindicaram suas terras e, paralelamente, têm impulsionado um projeto de recuperação de conhecimentos gastronômicos amazônicos, por meio da coleta e do aproveitamento sustentável de frutos não madeireiros da floresta.

    A associação se concentra em promover o lema "Paz com justiça ambiental". Isso implica reconhecer o território do Caquetá como uma vítima histórica da devastação causada pelo conflito armado, os danos ambientais, o abandono estatal e a violência estrutural.

    Um primeiro passo nesse processo tem sido a reconstrução coletiva da história da Associação como um exercício de memória, dignificação e recuperação comunitária.

  • A Fundação FUMUCASTIVIC foi criada em janeiro de 2022 por um grupo de 35 mulheres residentes no bairro La Gloria, em Florencia, Caquetá. Trata-se de mulheres rurais sem terra e vítimas do conflito armado, que encontraram na organização comunitária uma forma de fazer valer seus direitos e dar visibilidade às suas lutas.

    Junto a elas, promovemos espaços de diálogo entre instituições, população vítima e sociedade civil, com o objetivo de reconhecer a responsabilidade coletiva na transformação das condições estruturais de injustiça que enfrentam as mulheres rurais no departamento. Esse diálogo busca, além disso, impulsionar alternativas sustentáveis para a recuperação individual, coletiva e territorial.

  • Este grupo é formado por 9 jovens —mulheres e homens— provenientes das localidades de La Unión Peneya, Santuario e Agua Bonita, do Município de La Montañita.

    Entre seus integrantes estão diversos lideranças juvenis: representantes da comunidade LGBTIQ+, conselheiros de Juventude com diferentes filiações políticas e membros ativos da Plataforma Municipal de Juventude de La Montañita.  

    De maneira conjunta, trabalhamos na construção de registros de memória e transmissão geracional, com o propósito de que as novas gerações reconheçam essas trajetórias de liderança, se identifiquem com elas e continuem seu legado de participação e transformação social.